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Seu Chico: Tiremos o chapéu para ele

2912 | 03/06/2008 | 5306 visualizações, incluindo a sua.
 
 
   
Na semana passada o inglês Lewis Hamilton venceu o badalado GP de Mônaco. Seu prestígio na F1 e principalmente na terra da rainha está contagiando todos, ao ponto de muitos o compararem ao nosso Ayrton Senna, seis vezes vencedor em Mônaco.

Hoje, após quatorze anos da morte de Ayrton, quem tem ao menos 25 anos de idade lembra, mesmo que seja pouco, da vitoriosa carreira desse fenomenal piloto brasileiro. Hamilton e suas vitórias levam qualquer adolescente inglês a acompanhar a F1, assim como recentemente os espanhóis glorificaram Fernando Alonso como um ídolo, os alemães, Michael Schumacher e os brasileiros fizeram o mesmo com Ayrton Senna a partir de meados dos anos 80. Essa patente de “ídolo imortal” nunca é esquecida e conseqüentemente sempre deixa saudades e certa emoção quando o assunto volta à tona. Lembro da festa que houve na chegada de Emerson Fittipaldi ao Brasil como campeão mundial. No ano seguinte fui ao GP Brasil em Interlagos e achava que estava sonhando ao ver o rapidíssimo José Carlos Pace, o experiente Luiz Pereira Bueno, o respeitabilíssimo Graham Hill, “a raposa” Dennis Hulme, o “escocês voador“ Jackie Stewart, o “rei da chuva” Jacky Ickx e o “mago” Colin Chapman aliado ao seu mais novo campeão mundial, Emerson Fittipaldi. Era inacreditável que naqueles momentos eu, um mero adolescente brasileiro, estava diante de tantos “ídolos imortais” reunidos num mesmo evento!

Nesse mesmo ano de 1973 estava para se findar a carreira de um grande piloto que tive o privilégio de o ver correr, embora muito pouco: Francisco Landi. Muito respeitado no Brasil e também no mundo, era conhecido como Chico Landi. Além de atuar na área esportiva do automobilismo, “Seu Chico” impulsionou a indústria brasileira com lançamentos promissores e inéditos no desenvolvimento tecnológico da indústria automotiva além de ministrar, pelas indústrias, palestras e cursos de mecânica. Para compilar sua carreira praticamente teria que escrever um livro, mas relato aqui alguns dos principais fatos pitorescos e exemplares do Sr. Landi.

Paulistano, nasceu em 14/07/1907. Aos onze anos, Chico já trabalhava como mecânico, ajudando na preparação de carros que participavam de "arrancadas" nas ruas noturnas em São Paulo. Mais tarde, comprou seu primeiro carro, um Hudson, para participar dos duelos, contra motoristas de táxi e mecânicos! Depois obteve um Buick; uma moto, com a qual participou de algumas competições e não gostou "das duas rodas". Tirou brevê de piloto, voou por três anos e desistiu, pois dizia: -"Um avião é muito veloz, mas é monótono: depois que está lá em cima não há mais nada a fazer". Antes da sua primeira corrida no "Trampolim do Diabo", Gávea (no ano de 1934) correu, sem êxito, em um circuito de rua em Santos, SP. A Gávea de 1934 foi sua primeira corrida importante (abandonou por quebra de seu Bugatti emprestado, depois de estar um bom tempo em segundo lugar). Sua primeira vitória de destaque foi em 1935 na corrida de estrada "A Volta do Chapadão", em Campinas, SP, na qual usou um Fiat adaptado, que pertencera ao mecânico e corredor italiano radicado na Argentina e competidor da Gávea, Vittorio Rosa. "Chico" é uma legenda no Brasil, com longa carreira pilotando nas ruas e pistas (1927-1973: mais de 40 anos!). Participou de sete corridas na Gávea (1934-1940), antes de obter três vitórias consecutivas (1941, 1947 e 1948); conquistou várias vitórias em Interlagos e em outros circuitos brasileiros, além de duas vitórias na Itália, circuito de Bari (1948 e 1952), e boas colocações na Argentina. Aliás, sua vitória em Bari (1948), foi a primeira de um Ferrari em corrida importante de fórmula (no caso F2). Landi usou nessa corrida um Ferrari F2 alugado em cima da hora (o Ferrari de F1 que arranjara estava fora do regulamento, mudado pelos organizadores da prova) de um dos irmãos italianos Gabrieli e Soave Besana. O carro, de chassi nº004C, tinha corrido na América do Sul com os Besana. Landi venceu a corrida sem conhecer o veículo, enfrentando a nata dos pilotos italianos da época!

A concretização dessa vitória teve início no ano anterior, 1947, quando o Sr. Pedro Santalúcia chefiava o Departamento Técnico de Corridas da ACB (Automóvel Clube do Brasil). Pedro era muito simpático e tinha uma lábia muito convincente. Fã de Chico Landi e dedicado ao automobilismo brasileiro, ele cismou que o Brasil podia mostrar nas pistas da Europa o valor de seus corredores.
- Eu tinha duzentos contos e investi para Chico Landi mostrar ao mundo as qualidades de um brasileiro. Por isso não tenho mais os duzentos contos... Em compensação, vi a bandeira brasileira hasteada numa competição européia, o relatou para a Revista do Automóvel em 1955.

O Comendador:

- Convenci Landi e juntamos nossas economias, continua Pedro. Com muito esforço conseguimos um abatimento nas passagens da Panair para a Itália. O ACB havia alugado o Maserati do piloto Henrique Platé para Chico correr em Bari. Platé tinha ido competir na Holanda e só chegou a Bari no sábado ao meio dia! Chico não conhecia o carro e tinha que correr a eliminatória. O carro não tinha revisão, vazava óleo e vinha surrado de 500 quilômetros desde a Holanda, sem ver oficina... Pois bem, Chico fez o terceiro tempo, atrás de Varzi e Sanesi, tornando-se logo um ídolo dos italianos! No dia seguinte, na corrida, Chico sai na ponta e faz uma volta inteira na frente das “Alfetas”. Mas após a 15ªvolta ele abandona por problemas de combustão, quando ocupava o 3ºposto. Em sinal de apreço, os organizadores deram a Chico um premio especial de 3ºlugar e ainda lhe ofereceram um relógio de ouro! Eu tinha feito tanto movimento, tinha me virado tanto, tinha falado com tanta gente e com tanto jornalista, que todo o mundo também passou a me conhecer. Foi aí que o Príncipe Titular da Ordem de Santa Maria de Belém, me fez Comendador...

A Taça Brasil:

No ano seguinte, 1948, o ACB ofereceu a Taça Brasil ao Automóvel Clube de Bari para o vencedor do GP de Bari.

- Voltamos à Bari, eu e Chico, continua Pedro. Aí é que a encrenca foi séria... Creio que se voltasse lá outra vez, depois daquele ano, o pessoal da organização acabava mandando me fuzilar!

- Imagina que, logo de saída, tinham mudado o regulamento da F1 para F2 e daí Chico não tinha carro. Aí eu fechei o tempo! Como é que podiam aceitar a Taça Brasil sem um corredor brasileiro na pista? Como é que Chico podia ficar de fora, vindo do Brasil só para correr? E eles apertando daqui para acolá e explicando isso e mais aquilo; e eu em cima, não estou querendo saber de nada. O que eu quero é que Chico corra, senão vai haver o diabo!

- Nem que eu tenha que trazer a taça de volta, relata o inflamado Pedro.

- Nessa altura, o tempo passando, a corrida já é no dia seguinte, todo mundo comentando que o brasileiro tinha sido barrado e eu reparo que estão inscritos duas Ferrari 166SC 2000, de dois irmãos Besana... Fui ao presidente do Automóvel Clube de Bari e mostrei que bem se podia arranjar só correr um dos irmãos, porque não ficava bem que o Automóvel Clube do Brasil oferecendo a eles uma taça, o Chico ficasse de fora, etc, etc; até que se arranjou uma “marmelada” e um dos irmãos Besana (Gabrieli) foi barrado.

- O italiano ficou furioso, fez discurso, deu entrevista, gritou, foi uma encrenca tremenda. Aí eu fui a ele e dei-lhe todo o meu apoio! É isso mesmo, é uma indecência, você está com a razão!

Disse-lhe eu: - barrar você e o Chico! Não pode, não senhor! Você tem que correr, porque do contrário eu também faço uma encrenca, etc, etc.

- Daí, eu corria para o presidente da organização e mostrava a ele que o Chico podia correr com a Ferrari do Besana, já que o Besana não podia correr... Logo, eu voltava para o Besana e soprava a ele para aumentar a onda...

- Aí, por volta da meia-noite da véspera, o italiano teve uma idéia: alugaria sua Ferrari para Chico correr.

- Fomos todos ao presidente e logo fizemos um arranjo para pagar 600.000 liras de aluguel pelo carro nº38; o italiano queria um milhão, só para castigar... No fim, à uma hora da manhã, havíamos conseguido acertar tudo. Fomos dormir...

- No dia seguinte, na hora de alinhar, o italiano ficou horrorizado! Chico nunca tinha sentado numa Ferrari! Foi preciso explicar as mudanças e tudo, na horinha da largada!

- E o Besana me pedia para dar instruções ao Chico para não tocar, e eu dava instruções ao Chico nesse sentido, na vista dele. E logo em seguida, quando o Besana saia de perto, eu dizia ao Chico:
- Mete o pé embaixo, Chico! Você tem que ganhar essa corrida, Chico! É o Brasil que está correndo Chico!

- Ora, a quem dizia eu para tocar... Corriam Nuvolari, Farina, Ascari, Bonetto, Taruffi e mais um bocado de gente famosa...

- Logo na 3ªvolta, Chico aparece em 3ºlugar, atrás de Ascari e Farina. O Besana estava possesso:
- Vai me quebrar o carro, o idiota! Berrava ele.

- Na 4ªvolta, Chico apareceu em 2º e o Besana começou a ficar nervoso, já de outro modo. Na 5ªvolta Chico explodiu em 1ºlugar; e aí era de você ver o Besana a pular como um louco e a berrar para o Chico meter o pé embaixo!

- Chico ficou em primeiro até o fim e ganhou a corrida. Foi a maior emoção da minha vida! Rachamos o prêmio com o Besana, de 1.2000.000 liras (naquele tempo uns 50 contos); Chico ganhou também uma taça de prata lavrada, uma beleza, que hoje em dia vale uns 100 contos...

Após a prova, a organização da corrida não tinha o Hino Brasileiro e providenciaram para tocar a ópera “O Guarani” de Carlos Gomes...

Transcrevi aqui, a odisséia da primeira vitória brasileira no exterior, narrada por quem esteve lá: o Comendador Pedro Santalúcia, que na época tinha 32 anos de idade.

Em 1949, Chico também esteve lá (sem o agitado Pedro). A corrida foi transmitida para o Brasil, via rádio, por Wilson Fittipaldi (Barão - pai do Emerson). Chico bateu o recorde da pista. No momento de parar para trocar o pneu dianteiro de sua Ferrari, um dos mecânicos o atingiu no supercílio e voou sangue para todo lado... Landi está convencido que não foi um acidente, mas uma ordem do piloto italiano Luigi Villoresi que havia abandonado e queria voltar à prova, pois enquanto Landi era medicado com um curativo, Villoresi pegou seu carro e voltou para a corrida! Landi insistiu com sinais para que o italiano parasse, mas isso não aconteceu. Ao final da prova, “a dupla” Landi-Villoresi terminou em 4ºlugar com a Ferrari 166C e o Luigi lhe disse que não viu nenhum sinal.

- É lógico que não, pois toda vez que passava ele virava o rosto para o outro lado, disse Chico Landi em entrevista à Folha de São Paulo em 12/04/1987.

Há outra versão dizendo que enquanto Landi bebia água de uma garrafa quebrada, um mecânico esbarrou nele e o vidro cortante o machucou.

Chico Landi foi o primeiro brasileiro a correr de F1 e o único que dirigiu uma Ferrari particular (nº12, modelo 375F1/50 V12 4.5) na categoria, fato ocorrido em sua estréia, GP da Itália em 1951. Depois, correu com patrocínio brasileiro na chamada Escuderia Bandeirantes com uma Maserati, até fazer suas duas últimas provas pela Scuderia Milano e Officine Alfieri Maserati.

No momento que a Ferrari estava selecionando pilotos para 1956, Wilson Fittipaldi (Barão), Pedro Santalúcia (Automóvel Clube do Brasil), Landi e o Comendador Enzo Ferrari estavam num restaurante perto da fábrica da Ferrari discutindo isso, quando o Comendador estendeu-lhe um contrato para a Fórmula 1 e o Chico não assinou porque queria que o carro fosse pintado de verde e amarelo. Não adiantou o Comendador explicar que a cor oficial da Ferrari era vermelho. Se não for verde e amarelo, eu não assino, o Chico insistiu.

E a Ferrari acabou contratando Juan Manuel Fangio...

“Seu Chico" correu sua última prova nas 25 Horas de Interlagos em 1973, pilotando um Maverick V-8 Quadrijet nº4. Conseguiu o 3ºlugar juntamente com seu filho Luiz Landi e o grande Antônio Castro Prado.

Após esta prova, declarou: -"Resolvi: Não entro num carro nem para experimentar. Quero completar um ano sem correr e, se isso acontecer, será a primeira vez desde que comecei. Então posso ter certeza que parei...”.

Na prefeitura de Jânio Quadros, Chico Landi foi o administrador de Interlagos. Talvez sua única frustração na vida tenha sido nunca ter sido convidado para dar a bandeirada no GP Brasil de F1.

"Chico" Landi morreu por insuficiência cardíaca em São Paulo, no hospital Sírio Libanês, no dia 07/06/1989. Suas cinzas foram espalhadas pelo autódromo de Interlagos. Sendo assim, os pilotos brasileiros sempre visitam, com muito respeito, vossa “mãe-profissional” (pista de Interlagos), que está regada de amor pelo “paizão” de todos eles: “Seu Chico”...


Abraços,
 
 

 
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